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Quando ouvi pela primeira vez a comparação entre roupa e arquitetura, reagi com estranhamento, pois de imediato eu não via nenhuma semelhança gritante, nem tinha parado para pensar nesses conceitos interceptados. Contudo, depois de uma discussão na aula de Ateliê Integrado de Arquitetura, tenho pensado cada vez mais em como diferencia-los e tenho achado cada vez mais difícil. De forma semelhante, tanto as roupas quanto a arquitetura surgiram com um propósito funcional: de abrigar e proteger os seres contra aspectos adversos da natureza como o frio e a chuva. Além disso, ambos ultrapassaram esse marco e hoje são reconhecidos na história por traduzirem os anseios criativos de seus criadores e conferirem personalidade no seu público consumidor. A forma como ambas trabalham em torno de um cliente também as aproximam, fazendo com que suas criações sejam pensadas de forma que o produto cumpra seus pré-requisitos - que são infinitas variáveis - como o preço, a tendência, a locação, o estilo de vida das pessoas, etc. Contudo, sobre a minha ótica, acredito que a diferença esteja no grau de impactação dos dois conceitos. A moda, mesmo alcançando larga escala, veste um indivíduo, tendo portando, nesse sentido um alcance mais limitado e fugaz. Mesmo roupas que chocaram o mundo - como o vestido de carne da Lady Gaga - com o tempo caem no esquecimento, ou não são trazidos à tona no dia-a-dia. Já a arquitetura, por abrigar uma coletividade, acaba por modificar, mesmo que implicitamente, a vida de toda população, uma vez que, a construção não envolve apenas as pessoas que irão efetivamente desfrutar do espaço, mas gera impactos na rede de transporte, no volume do fluxo populacional que tende a se refletir no valor do terreno da região que o abriga e também na questão de setorização das cidades.
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