Polarizações na arquitetura

 

Após assistir o vídeo de Laurie Anderson, somos convidados a refletir sobre como a "metáfora do 0 e 1" - que enuncia os preceitos da polarização - pode ser aplicado para todo ou quase todo aspecto da sociedade, porém, vamos nos atentar a avaliá-lo apenas sobre a ótica arquitetônica. De uma maneira generalizada, escutamos desde pequenos que nada em excesso é bom, e que portanto, devemos sempre tomar muito cuidado com discursos e atitudes extremadas. Contudo, mesmo com tanto conhecimento, ainda nos deparamos com o sucesso das ideias de 0 e 1, principalmente porque a sociedade atual nos cobra um posicionamento incisivo sobre quase tudo, dessa forma, estar entre esses números é como não ter uma forma definida, é como estar sempre à deriva dos conceitos discutidos. Além disso, essa metáfora traz um conceito muito pragmático e seguro, que impede a discussão da importância de se existirem profissionais com visões tão diferentes em uma mesmo mercado. Um exemplo disso é quando nos consideramos (e no ensino médio somos obrigados a nos afirmar como tais) da área de exatas ou humanas. Esse pensamento que a princípio parece algo tão natural e inofensivo, acaba por aniquilar todas as variedades e caminhos que uma pessoa - nesse caso o arquiteto- pode percorrer. O sucesso e o diferencial de cada profissional vai ser medido de acordo com sua distância do 0 e do 1, e não da sua aproximação. É preciso entender também que o mundo contemporâneo tem sede de ver as infinitas combinações que esses números tem a trazer, e que a sociedade só tem a ganhar com as diversas criações - que em última instância são imaginadas graças a ciências humanas e concretizadas devido ao conhecimento de exatas.

*Assista o vídeo que inspirou essa reflexão:

My Instagram