Animação cultural - Vilém Flusser


O que mais me chamou atenção no texto - e que é colocado de forma incisiva - é o descompasso da relação humana com os objetos. Como relatado, desde o século XIX até o atual, nós, como seres pensantes, temos criado objetos e tecnologias cada vez mais complexas, com o intuito de servir nossos propósitos: celulares e computadores facilitam a comunicação e os transportes integram e agilizam a movimentação espacial. Contudo, temos caído na nossa própria armadilha, uma vez que essa relação de dominação se inverte, e os objetos (seres inanimados), acabam por ditar nosso comportamento frente aos mesmos. A princípio a ideia é assustadora, e até um pouco perversa, mas basta pararmos um pouco para refletir e chegaremos à conclusão de que somos reféns das redes sociais, que influenciam nossas relações interpessoais e a forma que somos vistos na sociedade - se somos felizes, bem sucedidos, se temos muitos amigos e por aí vai...- e também da rede de transporte, que uma vez estabelecida, leva todo um contingente populacional a se organizar ao seu favor - por exemplo: para chegar na faculdade às 7h30 eu devo considerar que o ônibus passa perto da minha casa 6h30, que ele demora 30 minutos até o ponto que eu vou descer e que depois, terei que andar por uns 10 minutos até a faculdade. Por isso, devo acordar por volta de 5h40 para fazer café, me arrumar e estar pronta para sair as 6h20, esse cálculo feito diariamente por muitas pessoas mostra como atualmente, temos nos adaptado aos objetos. Além disso, as mais variados criações nos dominam na esfera simbólica, a medida que atribuímos a esses, um status social ou econômico - ou seja, o fato de ter algo te transforma, aos olhos da sociedade, em uma pessoa rica, intelectual, descolada, etc.

| Observando o texto dos meus colegas pude perceber mais algumas coisas:

A questão do mito bíblico, que não tinha chamado minha atenção até então, passou a me intrigar e compor na minha opinião, um dos grandes pilares do texto. A ideia de que o homem surgiu do barro, teria o nivelado a ser-objeto, tornando possível a inversão do papel de dominação humano-obejto mencionado no meu próprio texto. Além disso, gostei e concordo muito com a visão de que nos vemos como tijolo: a base criadora de tudo, o ser que anima as criações, contudo, sem os objetos, nós nos tornaríamos praticamente seres inanimados, limitados pela distância e pelas condições que a natureza nos impõe.


* Leia o texto original também:
   Animação Cultural - pdf

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